Yves e o Smoking

Feito na Serra Gaúcha
13 de novembro de 2021
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Yves Saint Laurent criou, e Dani Conta tudo sobre o traje que revolucionou o guarda roupa feminino na segunda metade do Século XX.

Yves Saint Laurent apresentou Le Smoking em 1966 e a caminhada do traje não foi, de início, muito tranquila, não apenas pela transgressão que ele representava à época, mas também porque, nos anos 60, havia uma lei francesa proibindo as mulheres de usarem calças.

Muitos hotéis e restaurantes proibiam a entrada e circulação das corajosas adeptas da novidade.

Curiosidade: A socialite Nan Kempner jantou usando apenas o casaco, como se vestido fosse, após tirar as calças do conjunto por ter sido impedida de ingressar em um restaurante em Nova Iorque usando “roupas masculinas”.

Foi uma das edições da Vogue Francesa de 1975 que consagrou de vez o Le Smoking. Preciso falar dessa foto, gente, que é um ícone, feita pelo genial e eterno Helmut Newton.

Diz-se que ao dirigir a modelo, ele pediu que ela encarnasse um “Dandy, que não tem outra profissão além da elegância”. O ensaio foi feito sem flash e mostra uma modelo vestindo terno listrado, com postura confiante, expressão inacessível e segurando o cigarro. Códigos que assim, narrados remetem à imagem masculina da época.

Mas, gente… ao olhar a foto, vemos a feminilidade retratada ao extremo. E essa feminilidade não se destaca simplesmente pelo salto alto.

Uma mulher vestindo um terno é tudo menos masculino, dizia Yves Saint Laurent.

Le Smoking surge repaginado nas coleções recentes da marca e também aparece como escolha de celebridades, não apenas como um look, mas como um posicionamento – coisa que o traje sempre foi.

Como uma vez disse Pierre Bergé, “se Gabrielle Chanel traz liberdade às mulheres, Yves Saint Laurent dá a elas poder”.

Yves Saint Laurent era realmente especial e um grande admirador da arte.  Usou referências de Mondrian, Matisse, Van Gogh, Andy Warhol e até de elementos étnicos, para criar coleções inspiradas na África, Rússia, China…

O “Vestido Mondrian”, criado em 1965, é a peça de vestuário mais copiada e reproduzida da história da moda. 

O casaco safari, cujos códigos certamente aparecem na maioria dos guarda roupas, foi criado por ele.

Mas Yves Saint Laurent teria sido meteórico, não fosse a astúcia e firmeza de seu companheiro de vida, Pierre Bergé.

A equação entre eles era simples: Bergé não interferia no processo criativo de Yves. Em troca, ele nunca fez ao companheiro uma única pergunta sobre dinheiro.

Pierre Bergé soube conduzir o homem e a marca Yves Saint Laurent. Entendeu e apostou no pret-a-porter, tornando a marca pioneira. Investiu em perfumaria e beleza. Vendeu a marca no seu auge e manteve controle do que realmente dependia da genialidade do homem que deu nome a ela: a Alta Costura.

Pierre Bergé rende um outro capítulo de Dani Conta, mas neste vou contar que ele infelizmente nos deixou poucos dias antes da inauguração de dois templos dedicados ao trabalho de Saint Laurent: o Museu YSL de Paris e o de Marrakech, no Marrocos.

O Museu de Paris recentemente inaugurou a exposição Transparências, tema essencial no legado da marca, e que dominou a última coleção apresentada por Anthony Vaccarello.

Saint Laurent, a marca, é assim. Sexy, Chic, Poderosa, Atemporal e ao mesmo tempo moderna. E, sim, Encantadora. Sempre!

Saint Laurent, o homem, era um gênio. Um gênio perturbado, sim. Mas um gênio que modificou para sempre o guarda roupa feminino.

Dani Conte
Dani Conte
Escreve sobre moda, beleza e tendências, mas também dá seus pitacos em outros assuntos. Revisa demonicamente todos os conteúdos do blog.

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