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Oi,

Assistindo a um capítulo da chatíssima novela Babilônia, que é exibida no horário nobre (oi?) da Globo, uma cena chamou minha atenção: o personagem do lindo Chay Suede é expulso da mesa de jantar aos pontapés. O motivo: ele informou aos sogros que é ateu.

Seria essa mais uma daquelas cenas caricatas típicas de novela, que distorcem um pouco da realidade para torná-la mais escancarada? Não creio.

A discriminação contra simpatizantes das teorias evolucionistas ainda é realidade em pleno século XXI e pode ser percebida, principalmente, em sub-culturas provincianas e hipócritas, dentre as quais a brasileira. Ateus e não tementes a um Deus (seja ele qual for) só não são jogados na fogueira, mas seguem discriminados impiedosamente como na Idade Média.

O pensamento de que os “sem religião” são pessoas más é consequência de um fanatismo judaico-cristão tão nocivo quanto a violência disseminada por grupos radicais islâmicos.

Ai de quem se diga sem religião! Outro dia ouvi de uma pessoa muito querida: -“Não pode ser, você não crê em Deus? Mas você é uma pessoa maravilhosa, não é possível que não reze pra Deus! Só vejo vocêc fazer o bem!”

Quer dizer que pessoas justas e de bom caráter são necessariamente religiosas? NÃO!

Quer dizer que a pessoa, só por ser religiosa, tem atestado de honestidade? NÃO!

E quer dizer, ainda, que se a pessoa simpatizar ou praticar alguma religião ela, necessariamente, será preconceituosa ou fanática? NÃO!

Uma revista eletrônica chamada  HypeScience publicou considerações sobre o Longitudinal Study of Generations (Estudo Longitudinal de Gerações), uma  pesquisa realizada nos Estados Unidos  pelo professor de gerontologia e sociologia Vern Bengston. No estudo  foram supervisionadas  durante 40 anos gerações de famílias conhecidas como NONES ou SECULARES, onde  pai e mãe que não se identificam com religiões nem crenças  geraram seus “questionáveis produtos”: crianças que crescem sem Deus.

Os resultados do estudo impressionariam as carolas de plantão: os nascidos  de berço sem crença demostraram comportamento mais ético em todas as situações do que os filhos de religiosos; mostraram-se mais saudáveis fisicamente e com maior capacidade de empatia com pessoas e animais;  demostraram-se livres de sentimentos  discriminatórios de  raça , religião, cultura ou opção sexual. Adolescentes seculares apresentaram menos tendência a se preocupar com o que os garotos populares estão pensando, ou de expressar uma necessidade de se enturmar com eles, do que os adolescentes religiosos. Além disso, mostram que são mais capazes de compreender como atitudes individuais cotidianas podem  interferir em questões coletivas, como o aquecimento global, por exemplo.

E o mais instigante: o estudo chama atenção aos números baixos de ateus em prisões americanas, o que também também parece indicar que ateus e pessoas sem religião são os que menos se metem a cometer crimes. Um dos motivos para isso acontecer pode ser o fato de que famílias nones preferem não adotar castigos físicos como forma de educação de seus filhos, segundo o próprio estudo revelou.

E a revista diz ainda:

“No cenário internacional, países democráticos com os menores níveis de fé religiosa são também os que têm as menores taxas de crimes violentos e gozam de bem estar social relativamente alto. Se os pais seculares não pudessem criar crianças com boa moral e comportamento, então a preponderância deste tipo de família significaria o desastre social. Só que o que acontece é o contrário. A pergunta que alguns pais se fazem, se eles podem estar cometendo um erro ao criar seus filhos sem a crença em Deus, tem uma resposta clara: não.

Crianças que crescem em um lar secular não têm deficiências em nenhuma virtude ou traço positivo, e devem ser bem-recebidas pela sociedade. [Los Angeles Times]”

A explicação é óbvia: pessoas crentes e tementes têm dogmas a seguir, ou seja são criadas para obedecer ao invés de compreender. Enquanto religiosos obedecem às leis divinas, ateus entendem os fenômenos sociais e sentem-se responsáveis por eles, ao invés de julgar, acusar e discriminar.

O religioso submete-se  aos mandamentos e ao ouvir a ordem divina: “Não roubarás” obedece pois teme ser considerado um pecador e o consequente castigo de Deus. Já o ateu é capaz de entender o quanto um simples furto pode ser nocivo para toda a sociedade e para si mesmo. A obediência é tênue e circunstancial e perece conter instintos travessos que podem explodir a qualquer momento. A compreensão é o que transforma o comportamento em uma escolha perene e constrói um carácter firme e convicto.

Me arrisco a dizer que as crenças podem estar impedindo pessoas de desenvolver empatia, pois enquanto os tementes a Deus são treinados para conquistar um lugar no céu fazendo o que manda a cartilha de algum suposto Deus, acabam não sendo treinados para se colocar no lugar de outros humanos ou seres vivos durante  suas existências mundanas.

Sendo assim, cristãos obedecem a Bíblia e muçulmanos o Alcorão. Tudo de acordo com suas interpretações, é claro.

Alguém poderia me explicar  por favor  a diferença entre pregar o não uso de preservativos e jogar um avião contra uma arranha-céu? Alguém seria capaz de contrapor o número de pessoas que morrem anualmente no mundo inteiro devido a doenças sexualmente transmissíveis com o número de vítimas da violência islâmica?

E seguimos assim, assistindo na novela e na vida,  prefeitos corruptos e criminosos, mulheres racistas e misóginas indo a missa aos domingos para apanhar seu atestado de bom carácter e poder apontar o dedo aos demais “pecadores”do planeta.

Mas claro, da novela só se fala do beijo gay.

Cansaço viu?

Beijocas

babilonia

 

 

Dani Conte
Dani Conte
Escreve sobre moda, beleza e tendências, mas também dá seus pitacos em outros assuntos. Revisa demonicamente todos os conteúdos do blog.

1 Comentário

  1. Paola disse:

    Lamentável que o ateu virou “sem religião”, ou seja, agnóstico!

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