Na cidade do pecado, jantar em restaurantes de Chefs famosos pode ser uma garantia de comer bem. Isso porque a comida da esquina ou do inocente shopping center deixa muito a desejar. Os buffets dos hotéis, famosos na década de 60 e 70 pela fartura e cascatas de camarões me pareceram decadentes e ultrapassados. Tudo com gosto de enlatado. Achei que até a qualidade do starbucks caiu em Las Vegas. Sabe como é… muita gente a gastar, né? A percepção de valor se modifica…
Las Vegas foi construída para fisgar o dinheiro de quem vai até lá e tudo funciona desta forma. Não é uma cidade, é um caça níquel em formato urbano. Por lá não se vê vida cotidiana nas ruas, só vida turística. Não é como visitar Paris, onde apesar de lotada de turistas, pode-se observar parisienses em suas rotinas de estudo, trabalho ou diversão.
Em Vegas quem não está a passeio está trabalhando pelo dinheiro de quem está a passeio e deslumbrado com a imensa Babilônia de luzes piscantes. As construções imitam desde a torre Eiffel, os canais de Veneza e suas gôndolas e a estátua da liberdade. A cidade é um grande cenário montado para realizar os sonhos mais profanos de seus visitantes, claro, cobrando muito bem por isso.
Para quem gosta de comida genuína e fresca, a salvação em meio à selva de cafonices gastronomicas pode ser degustar a comida assinada por alguns Chefs mundialmente famosos e televisionados, que abriram filiais em Las Vegas e que obviamente não devem morar por lá!
Provamos dois restaurantes de Chefs celebridades e, sim, a comida estava ok, mas em nenhum deles podemos dizer que saímos surpreendidos com o sabor ou com a sutileza dos pratos. Comida boa, mas ainda com a mesma cara de tudo que se vê em Las Vegas: coisa feita pra turista ver, pagar e ir embora. Não há peculiaridades. Há ostentação e exageros em todos os cantos, inclusive nos estabelecimentos desses entendidos em gastronomia.
Provamos o hambúrguer do
Gordon Hamsay.. Aquele do programa Hells Kitchen. O restaurante fica dentro do hotel Planet Hollywood. O atendimento é eficientissimo como em toda a América e a cozinha aparente, o que ficou muito legal. Como sigo vegetariana há 15 anos, a única opção para não carnívoros deixou muito a desejar: hambúrguer de cogumelos gigantes. Veio lindo, mas completamente sem gosto – a não ser pelo pão, que tinha algum sabor. Meus companheiros de viagem aprovaram suas escolhas mas não pareceram surpreendidos com alguma novidade. O item irresistível estava na entrada e na sobremesa: as melhores onion rings e batatas fritas que já provei e o melhor milk-shake da minha vida – sabor creme brulè – o que fez valer a visita e os 180 dólares pagos pelo jantar para 4 pessoas!


O segundo chef que visitamos foi O
Buddy Valastro, famoso por seu programa boss bakery, onde mostra na TV sua incrível técnica de construir bolos temáticos e imensos! O cara é realmente um artista, e o restaurante dele em Las Vegas foi o melhor italiano que provamos nessa viagem. Fica dentro do hotel The Venetian e em frente à concorrida Carlos Bakery, a casa de bolos desse mesmo chef.
Vale a pena conhecer. É melhor ir antes das 19h ou fazer uma reserva, pois tanto no restaurante como na confeitaria a fila é gigante. Os pratos servidos foram genuinamente italianos e o atendimento perfeito. Mas, mais uma vez, a surpresa veio com a sobremesa: tiramissu como só lá na toscana e um bolo de nutella com sorvete de caramelo crocante que eu poderia comer ajoelhada sobre tampinhas de garrafa sem sentir qualquer dor! Peça pelo Lisa’s Warm Nutella Cake e agradecerá estar vivo para poder sentir tamanho prazer!
Se vale os 250 dólares para 4 pessoas? Quem for até lá poderá provar e julgar!
Não esqueça e nos contar!
1 Comentário
Rê,
adorei teu texto.
Super bem explicada a frustração da comida que nada acrescenta… Mas amei mesmo foi a compreensão que tive do porquê não curti Las Vegas e não consigo ter vontade de voltar: nao há vida cotidiana! Só turística! Tão óbvio… . Eu amo me infiltrar na vida cotidiana por onde vou..
Valeu!
bjs,