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casamento george clooney Oi! Assunto polêmico hoje. Coisa que, aliás, adoro!

Ouvi uma notícia que contava a história de uma mulher divorciada que foi  impedida pelas autoridades de embarcar com seu filho menor para uma viagem internacional. Mesmo com a autorização do pai da criança pelo juizado, passaporte e certidão de nascimento em mãos,  mãe e filho não conseguiram sair de férias para o exterior.

Ocorreu que a mulher, enquanto casada, adotou o sobrenome da família do pai de seu filho. Este nome do primeiro marido foi adicionado aos documentos do filho: certidão de nascimento e passaporte. Tempos depois o casal divorciou e ela se casou  novamente. Adotou, então, o nome da família do segundo marido, re-emitindo seus documentos com o novo sobrenome.

No aeroporto veio o dilema do agente da Polícia Federal: o nome da mãe na certidão de nascimento do filho era um, o nome da mulher nos seus documentos, era outro.

Nestes casos é possível efetuar uma retificação da certidão de nascimento da criança, corrigindo o nome da mãe. Mas a pobre mulher – desavisadamente – não o fez e por isso não embarcou de férias,  arcando com os prejuízos financeiros, morais e emocionais.

Se nunca tivesse adotado o nome de nenhum dos maridos teria passado sem este fato constrangedor  e desenecessário na vidinha de todos.

Outro dia também fiquei confusa ao receber um convite de amizade no Facebook pois, pelo nome, não identifiquei a persona que me adicionou. Ao investigar a foto percebi que se tratava de uma amiga muito querida e de muitos anos atrás, mas que usava outro sobrenome, provavelmente o de seu consorte.

Em uma época em que os casamentos se fazem e desfazem com tanta frequência, e em que as pessoas já se unem mais maduras, com profissões estabelecidas, amigos próprios e identidades bem definidas, não entendo o que leva uma mulher a escolher adotar o nome de uma família que não é a sua.

A mim soa como um resquício da falta de respeito pela identidade da mulher, comum em tempos remotos. Me lembra uma época em que mulher não votava, não dirigia e não podia ter opinião distinta do pai ou do marido. A mulher era tão insignificante que não tinha direito sequer a manter o  nome  que seus pais lhe deram ao nascer. A mulher de uma vez  era resumida ao acervo de propriedades do homem que lhe tomasse como esposa, por isso tinha obrigação de assinar o nome do seu provedor.

É lógico que tudo isso mudou. Pelo menos no meu mundo mudou. Hoje a mulher tem voz, trabalha, escolhe, decide. Casa-se e descasa-se, se assim quiser. Mantém seus próprios círculos de amizades e influências, tem no seu nome o legado de sua experiência profissional e participa da vida econômica da família de igual para igual.

Desta forma, em tempos em que o Google pode informar sobre o paradeiro das pessoas com um simples clique e em que as redes sociais reavivam os contatos esquecidos e aceleram os novos, não consigo alcançar os motivos que conduzem uma mulher  a optar pela troca de nome a cada relacionamento conjugal.

Seria  auto-subjugação? Será que a mulher moderna ainda não incorporou a ascensão da sua própria identidade? Trata-se de uma demonstração de amor ao marido abdicando do seu próprio nome?  Ou seria apenas um ato de repetição ao que fizeram suas mães e avós, sem questionar a serventia de trocar de nome?

Já os homens que exigem que uma mulher carregue seu sobrenome, fica parecendo que  desejam demarcar território, como cercar a área de terra que adquiriram. Ou, ainda, passam recibo de uma frágil masculinidade, mostrando que se sentem afrontados por uma mulher que tem nome próprio e portanto decide por si mesma. Pobre deles, pois ignoram que amor é, antes de tudo, liberdade.

Palmas para as tradições, que são valiosas na medida em que fazem sentido. Tradições inúteis não passam de um atravanco ao desenvolvimento da condição humana e nos limitam ao status de macacos condicionados que só fazem repetir ações incorporadas pelo bando, sem conseguir perceber as razões de suas escolhas individuais.

Felizmente, antes de me casar,  afirmei que não trocaria o meu nome por nenhum outro, meu partner  respondeu: “concordo e te amo mais ainda, te quero sempre como Rejane Toigo, foi assim que te escolhi”.

Amei e casei mais convicta ainda.

Beijos

Dani Conte
Dani Conte
Escreve sobre moda, beleza e tendências, mas também dá seus pitacos em outros assuntos. Revisa demonicamente todos os conteúdos do blog.

17 Comentários

  1. Greice disse:

    Excelente texto!

  2. Saida Caroline Caire disse:

    Esse texto expressa exatamente o que sinto quanto a vontade de não colocar um novo sobrenome no meu nome.. Afinal o nome é só meu, de mais ninguém!!!
    Durante muito tempo, principalmente quando criança, demorei para aceitar meu nome por contas de brincadeiras que faziam, ainda muito imatura não enxergava o quanto é lindo meu nome. Diferente e com um significado que realmente condiz comigo.
    Ano que vem vou me casar e esse é um assunto que eu e o meu noivo já discutimos bastante.
    Até chegar o dia do casamento já estaremos juntos a 7 anos, e o que isso significa? Significa que durante esses 7 anos juntos sem o sobrenome dele ao meu, eu o amei e vou continuar amando, vou continuar respeitando…
    Mas ele não vê dessa forma acho que ele vê da forma que vc colocou: demarcar território!!
    Para mim não é sobrenome, festa de casamento maravilhosa, casa dos sonhos que se faz um casamento e sim o amor, a cumplicidade, o respeito, a vontade de estar junto, saber ceder, saber entender, saber falar, saber ouvir!!
    Respeito quem coloca sobrenome do marido.. E acho que também devemos ser respeitadas por não querer!!

    • Dani Conte disse:

      Excelente colocação! Ficamos super felizes em saber que leste nossa opinião!
      O amor não tem nada a ver com propriedade e usar o nome do cônjuge deve ser uma escolha que os casais precisam sentir-se livres para fazer.
      Obrigada pelo comentário! Felicidades pelo casamento!
      Beijo

  3. Roberta Alves disse:

    Gostei do texto em
    Partes acho que tu generaliza as pessoas, pensando somente na tua opinião, sou engenheira, trabalho em uma multinacional, já terminei o mestrado e entrei no doutorado “tenha certeza, que opinião tenho e bastante” e eu optei por acrescentar o sobrenome do meu marido pois acho bonito a família inteira possuir o mesmo sobrenome tenho orgulho da minha família e da família que escolhi. Acho que não deves achar que mulher que adota mais um sobrenome ainda está no tempo que reivindicava votos… Deves abrir teu pensamento pois existem sim muitas mulheres inteligentes que optam por isso!

    • Dani Conte disse:

      Oi, Roberta!
      De fato o post não é um relato ou uma notícia, então ele necessariamente expõe a nossa opinião.
      Mas a nossa forma de pensar não é lei e respeitamos as opiniões divergentes.
      Adorei teu comentário porque mostra uma opinião super segura e contrária à exposta no post.
      O nosso objetivo é justamente levantar temas e sugerir o debate de alto nível!
      Obrigada pelo teu comentário! Beijo

  4. Claudia disse:

    Olá!
    Acredito que hoje em dia a maioria das mulheres na minha idade(aos trinta e poucos) e abaixo disso talvez optem por escolher acrescentar o nome do marido por que querem carregar o nome do amor da vida delas. Não deixei de ser eu ou de as pessoas não me reconhecerem por causa que acrescentei o nome dele ao meu. Não acho que devas considerar uma submissão, obrigação ou que deixemos de ter a nossa identidade apenas por ter acrescido o nome do marido ao seu. Meu marido sempre me deixou livre para escolher o que eu quisesse fazer. O texto me deixou um pouco chateada porque me pareceu rotular as mulheres que adotam o sobrenome do marido como submissas ou sem identidade. Nos tempos antigos sim, as mulheres não tinham escolha. Espero que compreendas meu ponto de vista e que casei acreditando que relacionamentos podem sim ser duráveis e não descartáveis como estamos vendo todo o dia e que a opção entre isso ou aquilo hoje em dia deve ser respeitada sem julgamentos, e que as mulheres que se sentem obrigadas à colocar o nome do marido por convenção moral devem sim se libertar desses conceitos. Por fim agradeço o espaço e deixo um abraço.

  5. Louise Mendes disse:

    AMEI o texto, simplesmente me representa, me vi lendo tudo isso, também não coloquei o nome do meu esposo e ouvi muita “critica”, mas relevo cada critica pois meu marido foi o primeiro a falar que me amava com o sobrenome dele ou sem, que era uma uma escolha minha fazer, pois somente eu teria que mudar meu nome, homens modernos tbm aceitam decisões das mulheres numa boa e às apoiam.

  6. Patriciele dos Santos disse:

    Olá.

    Enfrento um dilema. Na minha família e círculo de amigos acreditamos que quando uma mulher casa e não adota o sobrenome do marido é porque esse casamento não lhe foi a melhor escolha, e geralmente há o pensamento de separação, pois facilita os tramites e tudo o mais. Popular casa querendo/pensando em separar. Acontece que a nossa sociedade julga muito, pois quando se preenche um formulário dos filhos e a mulher não tem o sobrenome do homem sempre acontece a pergunta “são separados?”
    Por outro lado, minha mãe foi morar com meu pai fora do país e se casaram. Eles se separaram antes do meu nascimento, aqui, mas minha mãe tinha adotado o sobrenome ‘estrangeiro’ dele. Ela conseguiu retirar o sobrenome dele com uma demora acima do normal devido a distância, e eu como filha permaneço com os dois. Não conheço meu pai e não uso o sobrenome dele, a não ser que seja muito necessário. Mas acho lindo uma família inteira com o mesmo sobrenome. Pois a família Santos que é a minha família é composta pelos meus avós, minha mãe e eu.

    • Rejane Toigo disse:

      Pati! Adorei sua história e suas considerações! Faz pouco tempo que a mulher passou a não ser obrigada a adotar o sobrenome do marido no Brasil, por isso nosso padrão de “certo” é uma família em que todos tenham o mesmo nome. Nos EUA por exemplo, embora o praxe seja o casal ser chamado de Sr. E Sra. sobrenome do marido, não há adoção de nomes nos documentos. Na Itália também nao, as pessoas nascem e morrem com o nome proveniente do DNA até as trouxe até aqui. Já os filhos do casal são frutos da união de 2 pessoas pai e mãe, portanto carregar o sobrenome das duas famílias biologicas me parece o mais lógico. Minha família é assim: eu com meu sobrenome, meu marido com o dele é nosso pequeno com ambos. Já me perguntaram se nós não éramos casados e eu disse somos, apenas optamos por não usar o nome um do outro e manter os nomes de nossas famílias originarias( sim porque é facultativo ao homem também adotar o sobrenome da esposa no Brasil). Como tudo isso é novo e nossas mães e avós mudaram o nome, cabe a nós refletir sobre a serventia deste ato e ponderar suas consequências a curto e longo prazo. Também cabe a nós fazer uma escolha consciente, preservando os verdadeiros valores que acreditamos ter importância, sem relevar tanto a opinião alheia. Como eu abomino qualquer resquício de anulação aos direitos da mulher, prefiro achar mais coerente a manutenção do nome de batismo, como símbolo da preservação da minha individualidade! Um beijo grande! Adorei ler sua história, muito obrigada mesmo! Rê

  7. Flavia Bertolla disse:

    Enquanto planejei meu casamento também me fiz essa pergunta, colocar ou não o sobrenome da família do meu marido. Perguntei a ele se ele gostaria de usar o sobrenome da minha família, ele sorriu e agradeceu. Eu fiz o mesmo! Nos sentimos muito acolhidos pela família um do outro, mas ainda somos nós, seres únicos e individuais que escolhemos passar nossas vidas juntos e nossos filhos serão nossos, Bertolla Dias.
    Beijos meninas!

  8. Li disse:

    Vou casar ano que vem e vou colocar o sobrenome do marido. Eu sempre adorei que eu, meu irmão e meus pais tivessemos o mesmo sobrenome e espero que meus filhos gostem tbm.♡

  9. Rê,
    Mais um texto brilhante! Parabéns!!!!!
    Respondendo a “enquete”: obviamente nao troquei de nome, quando há mais 12 anos me casei.
    Não via sentido nenhum, nunca pretendi mudar. Já era profissional estabelecida, advogada. Mas esse não foi o real motivo. Eu simplesmente pensei: sou Patricia Zuco há 30 anos, não quero ser outra pessoa porque vou me casar.
    Acredito que as mulheres que mudam de nome, acrescentando o sobrenome do marido, o fazem sem pensar, por convenção social, habito, repetição. Se pensassem, não o fariam. Com raras exceções (quando nao mais querem carregar o nome do pai…já ouvi historias de magoas nao resolvidas…) ouço que mudam ou mudaram sob o argumento de ter o mesmo nome dos filhos. Também nao faz sentido: os filhos podem e devem trazer no nome ambos sobrenomes, para aprender desde cedo que pai e mãe tem o mesmo valor. Xiii escrevi outro texto, desculpa, é força do habito. beijão.

    • Rejane Toigo disse:

      Patty querida! A sua opinião sobre o que escrevo é o ponto alto do meu dia! Admiro muito seu trabalho e estou ansiosa pelo nosso encontro! Obrigada mil vezes! Rê

  10. Franciele disse:

    Aaaaa AMEIIIII. Eu também nao aforei o nome do meu marido, que até hoje fala que ficou chateado. E eu respondo: coloco o seu nome se você colocar o meu! Kkk como sei que isso nunca iria acontecer, ficamos assim. Casados e cada um com seu terreno. Amei o texto. Bjos mil

    • Rejane Toigo disse:

      Fran querida! Você é uma mulher moderna e com uma incrível e doce identidade própria! Tenho certeza que o René diz que ficou chateado para ganhar um denguinho, mas na verdade ele te admira ainda mais por preservar a tua individualidade! Te admiro muito gatona! Um beijo e muito obrigada por comentar, tua opinião vale demais pra mim! Um beijo grande! Rê

  11. Claudia Lyra disse:

    Adorei! Já ouvi muita bobagem por não ter adotado o nome do meu marido, mas penso da mesma maneira!

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