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Olá verão!

Consome-dor é o nome atribuído àquele ser que acha que os atendentes de qualquer estabelecimento são seus subalternos, imaginando – em sua mente mimada – que existe algum grau de hierarquia entre quem consome e quem fornece. O consome-dor quer mais do que produtos ou serviços. Como um vampiresco, ele se alimenta da dor de quem está a lhe servir.

Esse genial apelido aos consumidores sem noção não foi obra minha. Foi proferido pelo  também genial Ricardo Mallet, meu grande amigo, estudioso e observador do comportamento humano.

O comprador brasileiro, mesmo o bem educado, já apresenta um certo comportamento carente, desejando ser recebido com tapete vermelho por todos os lugares onde passa. Ele quer ser servido com  pompa e circustância  e muitas vezes há traços de senhor de engenho no conceito que detém sobre bom atendimento.

Grandes empresas que vieram ao Brasil, como a Zara por exemplo, obrigaram-se a mudar seu concebido operacional de self-service para atender às peculiaridades  do nosso povo, que se mostra dependente e solicitador quando vai às compras. Quem entra na Zara Brasil de hoje pode até contar com uma funcionária para buscar produtos no interior da  loja enquanto estiver só de roupas íntimas no provador ! Olha que luxo! Na Europa ou EUA isso não acontece.

Aliás, em países “mais frios”- vamos assim dizer-, o consome-dor não se cria e não se prolifera. Não existe qualquer grau hierárquico entre quem atende e quem é atendido. As pessoas tem orgulho em recolher seu próprio lixo depois de comer e devolver o prato sujo no balcão. Trabalhadores e “passeadores” merecem a mesma consideração. E como esse senso é educado e civilizado!

Semana passada, ao sair do Brasil, comemos na Pizzaria Piola do aeroporto de Guarulhos, que funciona como fast-food. Não tinha sequer um  lugar limpo para comer. Muitas pessoas saíram e deixaram embalagens, copos e garrafas sobre os balcões. Meu marido recolheu tudo, de todas as mesas, e um casal de clientes bateu palmas e agradeceu. Eram belgas.

Aliás, o self-service no Brasil funciona muito pouco. Postos de combustíveis com auto-atendimento quase faliram, mesmo vendendo mais barato. Claro, né? O consome-dor não daria seu rico dinheirinho sem poder esfolar a alma do atendente! Deve ser por isso que não cola em terras de Dilma presidenta.

Acontece que, durante a temporada de verão, os consome-dores multiplicam-se e entopem os restaurantes, supermercados, lojas e estabelecimentos com seus narizes empinados, abarrotando as mais pacatas cidades praianas no Brasil com suas necessidades básicas de atendimento vip-cinco-estrelas.

Não há comportamento mais infeliz do que julgar-se superior à pessoa que está servindo. Ao consome-dor não basta obter o produto ou serviço, ele quer levar a forra sua prepotência e sonha em poder humilhar alguém para finalmente conseguir se sentir alguém. Ele imagina que consumir dor no outro vai torná-lo mais rico e isso trará alívio às suas melindradas mágoas de menino mimado e deseducado.

Por favor amigos, nesta época de litoral cheio, respeitem as pessoas que estão trabalhando para receber o turista. Vamos alimentar a paciência e entender que embora o veranista leve receita ao trabalhador do litoral, não é necessário olhar ninguém de cima por isso. Colaborar, ser educado e generoso só vai trazer mais felicidade para as férias de todo mundo.

Um beijo

Dani Conte
Dani Conte
Escreve sobre moda, beleza e tendências, mas também dá seus pitacos em outros assuntos. Revisa demonicamente todos os conteúdos do blog.

1 Comentário

  1. Joana Maria Toigo Conte disse:

    bem verdade. O consome-dor se multiplica como erva daninha. Como o mundo seria mais feliz se os humanos se tratassem como tal em todos os campos de atuação. Educação é compromisso moral de todos. Abraços.

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